Vida malvada que me levaste o Kiko.
Tivesses morrido às 11 da manhã em vez das 11 da noite e eu teria pensado seres a causa do apagão. O dia 28 de abril de 2025 será sempre lembrado pelo apagão que o Kiko deixou nas nossas vidas. No domingo depois do almoço ficaste estranho e começaste a apagar-te. Foram 16 anos de convívio. Vieste primeiro que o resto da família. Eras um de nós.
A família ficou amputada. Falta-lhe um membro. Faltas tu meu gato. Viste o Joa a chegar e a Matilde a nascer e depois o Ângelo. Só a Rosa veio primeiro. Ainda me lembro que ficou muito ciumenta. Ficou sem ronronar durante mais dum ano. Aparentemente queria ser filha única. Agora parece ser a que está a sentir mais a tua falta. Parou de comer. Espero que a sua tristeza não dure muito. Não quero ficar também sem ela.
Hoje foste plantado no nosso jardim. Vamos lá colocar lindas flores e mesmo quando já te esquecer irei para sempre lembrar-te.
Eras um brincalhão. Lembras-te quando perseguias um reflexo na parede da sala? Podias ficar assim durante horas. E quando o Joa via um jogo de bilhar na televisão atiravas-te ao ecrãn para seguir as bolas. E davas turrinhas quando querias comida e mimos.
Hoje o teu corpo estava duro como pedra o teu rosto mostrava dor e medo. Quem me dera ter podido aliviar o teu sofrimento, mas nem sei como aliviar o meu. O que eu sei é que fazes-me falta. Que a casa parece diferente, tudo está diferente. Porque agora vives no jardim e já não vens para dentro de casa nem à noite e a mim parece-me tão injusto!

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