Diário do apagão
A minha filha disse-me, mamã, temos tanta sorte! Era o dia 28 de abril, o dia do apagão.
Pois, temos sorte. Podemos cozinhar no fogão a lenha ou a gás, temos água da nossa mina, o congelador cheio e muita comida na horta, não precisamos muito do carro, umas duas ou três vezes por semana para irmos à vila ou à cidade de Braga, temos velas e lanternas e gostamos de ouvir a rádio. Sim, é verdade, o nosso dia não sofreu muito com este apagão, não estamos presos no metro, ou numa enorme fila de trânsito ou à espera de um autocarro para ir para casa ou num supermercado a abarrotar de gente preocupada em abastecer-se.
E fiquei a pensar na sorte que tinha. Depois veio-me à mente que também temos a doença, a morte, desentendimentos com os filhos, discussões conjugais, falta de dinheiro, tristeza e depressão como muita gente.
Mas também temos alegria, compaixão, bondade e amor, dia sim dia não.

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